domingo, 18 de março de 2012




Memórias

Tantos contos, tantas estórias
Vindas de um mundo encantado, tão belo
no Sítio do Pica Pau Amarelo.
Lá está a minha infância, lembrança tão querida
Indestrutível memória
Que sustenta a minha vida...




Foto: Inesquecível mestre Monteiro Lobato.



 Ave Maria, Senhora
Do amor que ampara e redime
Ai do mundo se não fora
A vossa missão sublime!


Amaral Ornellas (Espírito)
Psicografia: Francisco Cândido Xavier




PRECE À SENHORA APARECIDA


Oh, Lua cheia, querida
Vai agora que anoitece
Vai e leva a minha prece
À Senhora Aparecida

Diga à ela que eu só quero
Proteção pra quem venero
Luz e Paz pra minha vida!

Elevo a ti meu louvor
Na alegria e na dor

E na hora da partida!




 Minha gata namorava
Em frente à minha janela
Lua cheia iluminava
O brilho dos olhos dela...




O MEU FLAMENGO É FÊNIX
SEMPRE RENASCE DO PÓ
É PEDRA, É BRILHO, É ÔNIX
É LUZ E ALEGRIA SÓ!






Uma vez Flamengo, sempre Flamengo!


 

 

Desertor

 

Oh, príncipe, por que tu desertaste?
Não sabes, me fizeste grande mal
Abandonando a rainha que amaste
Causaste dor profunda e fatal

Aquele puro coração tu lanceaste
Tão fundo qual um bruto fariseu
Mas sou forte, traidor, não me mataste
Ébrio louco, tua rainha não morreu!

Ela das cinzas retornou, Fênix rara
Brilhando como raios de luar
O coração dos Encantados nunca para
Nunca morre, nunca deixa de amar!

 

Pra você, Eduardo, um falso príncipe encantado...

 

 
 
 
 QUEM SOU EU?


Existe dentro de mim
duas mulheres opostas
que duelam entre si,
lutam para mostrar a sua face.
Quisera que uma nunca surgisse
(a vingadora sem piedade).
Se eu pudesse só veria
a poeta das trovas simples,
a cantora das noites enluaradas,
a sonhadora dos verdes anos,
dos eternos 15 anos...
Ah, se eu pudesse nunca veria
a mulher triste e odiosa
que traz no olhar a morte
e no coração o ódio eterno.
E nessa maldita dicotomia
eu me pergunto: quem sou eu afinal?
Sou a companheira das noites mornas de Copacabana...
Ou serei demônio, justiceira, matadora? 



Lagoa Rodrigo de Freitas  -  Rio de Janeiro



sábado, 17 de março de 2012




 Zanzibar


A maré me lançou à beira-mar
Castigou o meu corpo e me afagou
De um só golpe o vestido me arrancou
Lambuzei-me de areia, sol e mar

Minha praia era sim, meu céu, meu lar
Minha barca era a lua e eu sonhei
Que em teus braços estava e eu te amei
Vendo estrelas no céu de Zanzibar

E caí nas ondas do quebra-mar
Dias, noites, semanas, eu nadei
Meu amado foi embora e eu chorei

Mergulhei na espuma do rio-mar
E debalde buscava te encontrar
Lua cheia foi embora e eu fiquei...






As margaridas...


Quando eu estiver feliz, me dê as de cor rosa
E deixe livre a mulher, linda e prosa...


Quando eu estiver amando, me dê a vermelha
Que traz amor, paixão, fogo e centelha


Quando eu estiver casando, me dê a amarela
Que enfeitará a minha casa e fará a minha vida mais bela...


Quando eu estiver cansada, me dê as de cor lilás
Que me dará consolo, amparo e talvez paz...


Quando eu estiver partindo, me dê a branca
E nada mais levarei e nada mais quero... sou franca!








RONDEL DA MARGARIDA


A minha flor preferida
Enfeita a minha janela
Sou louca por margarida
Tenho branca e amarela

Dentre as flores a mais bela
Sempre viva e colorida
A minha flor preferida
Enfeita a minha janela

Quando estou triste, sentida
Logo vou pra perto dela
Sempre alegra a minha vida
No jardim é uma estrela
A minha flor preferida!




 
SOLIDÃO

Revoada, passarada...
Voa no céu, deslumbrante.
No quarto, a luz da vela, bruxuleante,
não me deixa ver quase nada.
Penumbra, quarto escuro,
gato preto pula o muro...
Sai na noite, errante,
Solidão... amor distante!






















Poesia impossível


Dia triste, noite fria
A brisa do mar acaricia
Águas turvas, estranha alquimia
Bares, cabarés, licores, boemia
No olhar, calmaria
No corpo, apatia
Coração dos homens... tirania
Minha alma... rebeldia
Luz solar irradia
Manhã principia
No peito, sempre a melancolia
doentia
Visão pouca, miopia
Paisagem sombria
Interminável travessia
Impossível poesia... 




Poeta

Dolorido, sofrido,
assim é o coração do poeta.
Que ousa não sentir o que escreve
Que escreve o que não ousa sentir
Que ousa não escrever o que sente
Pobre poeta! Não ousa... não sente...
mas não mente.






Ilustração: Tela de Renoir.


 Amanhece...


Surge um raio de sol... amanhece
O galo canta alegremente
Um beija-flor aparece
E beija a rosa docemente
Todo o meu jardim floresce
Meninas cantam ciranda
Pétalas no chão da varanda...
Ouço risos de criança
Nasce de novo a Esperança... 


 
No fundo da taça a aliança,
esperança finda.
Ainda o sonho permanece...
Padece o coração na lembrança,
linda...





 A ROSA AMARELA 



De todas as lindas flores
Certamente é  a mais singela
E aquela luz que é só dela
Ilumina os meus amores
Como a chama de uma vela
Que em meu pensamento dança
E minh'alma de criança
Traz no peito a esperança
Nas mãos, a rosa amarela!



Não posso decifrar um gato. Minha razão resvalou na sua indiferença.


Pablo Neruda



De todas as criaturas de Deus, somente uma não pode ser castigada. Essa é o gato. Se fosse possível cruzar o homem com o gato, melhoraria o homem, mas pioraria o gato.


Foto: Gatinha YANE 

sexta-feira, 16 de março de 2012